Mulher sentada segurando a barriga com crise de prisão de ventre na gravidez
Ultima atualização: 19 de abril de 2021

A maioria das mulheres concorda que a gestação é um momento transformador. As mudanças mais marcantes estão bem diante dos nossos olhos. No entanto, pouco se fala sobre a prisão de ventre na gravidez e como ela pode ter impacto no bem estar da gestante.

Se você está convivendo com esse incômodo ou quer saber como evitá-lo, preparamos este artigo com as informações essenciais para prevenir a constipação e ter uma gestação mais tranquila. Siga com a gente!




Primeiro, o mais importante

  • A prisão de ventre na gravidez atinge quase metade das mulheres a partir do sexto mês da gestação e mais de 30% delas no final deste período.
  • A principal causa da prisão de ventre é hormonal, mas alguns hábitos do dia a dia podem amenizar ou agravar as crises de constipação.
  • Além da dieta equilibrada, também é possível ingerir probióticos e laxantes naturais para combater a prisão de ventre na gravidez.

Dicas essenciais para ficar livre da prisão de ventre na gravidez

Todo mundo já passou por episódios de constipação e sabe como este distúrbio pode interferir no bem estar. Imagine, então, para uma mulher grávida, que já precisa lidar com um turbilhão de mudanças… Por isso, é importante saber o que causa a prisão de ventre na gravidez e como ela pode ser evitada.

mulher no escritório com incômodo causado pela prisão de ventre na gravidez

A prisão de ventre na gravidez atinge quase metade das mulheres no final da gestação. (Fonte: Freeograph/ 123rf.com)

O que caracteriza a prisão de ventre na gravidez?

A prisão de ventre na gravidez atinge cerca de 44% das mulheres, especialmente nos últimos seis meses da gestação (1). Assim como todo episódio de constipação, ela é caracterizada por:

  • Redução na frequência das evacuações;
  • Dificuldade de ir ao banheiro, com necessidade de grande esforço na hora de eliminar as fezes;
  • Fezes pequenas e ressecadas;
  • Vontade de fazer força ao eliminar fezes;
  • Sensação de fezes presas e barriga pesada;
  • Gases e distensão abdominal;
  • Cólicas e desconforto abdominal.

Quando a frequência das evacuações é menor do que três vezes por semana, a condição se caracteriza como prisão de ventre aguda. Se esta situação ultrapassa o período de três meses, pode indicar constipação crônica e requer mais atenção.

Como fica o intestino de uma mulher grávida?

Durante a gestação, muita coisa no corpo se transforma para garantir o perfeito desenvolvimento do bebê. E o intestino é um dos órgãos que passa por alterações neste período.

Isso ocorre porque a alta incidência de progesterona reduz a produção da motilina (2), hormônio responsável pela contração da musculatura lisa intestinal. Em outras palavras, o intestino fica mais preguiçoso.

O aumento do útero agrava a prisão de ventre.

Com a expansão do tamanho do útero, cresce a pressão exercida sobre o reto e o intestino. Isso dificulta sua motilidade, interfere na absorção de líquidos e reduz a velocidade do trânsito intestinal.

A prisão de ventre na gravidez pode prejudicar o bebê?

Dificilmente a prisão de ventre na gravidez pode ter impacto direto no desenvolvimento do bebê. No entanto, é preciso considerar que o bom andamento da gestação depende do bem estar e da saúde da mãe.

E, neste sentido, a constipação pode ter consequências. Ela pode desequilibrar a flora intestinal e — uma das complicações mais sérias — levar ao desenvolvimento de hemorroidas, que dificultam a evacuação, causam dor e desconforto.

Juliana Torres AlzuguirGinecologista e Obstetra
"As mudanças nas bactérias boas da flora intestinal podem levar a diversas doenças como depressão e ansiedade."

Quais alimentos aliviam a prisão de ventre na gravidez?

Assim como em qualquer período da vida, a melhor atitude contra a prisão de ventre na gravidez é manter uma dieta saudável e equilibrada. Aliada à ingestão de líquidos, a alimentação equilibrada ajuda a manter a regularidade intestinal.

De maneira geral, a orientação é priorizar a ingestão de frutas laxativas, como o mamão e a ameixa, alimentos com probióticos, como o iogurte, além de aveia e vegetais, especialmente os de folha verde escura, que são ricos em ácido fólico e fibras.

mulher ingerindo alimentos que combatem a prisão de ventre na gravidez

A alimentação saudável é um grande aliado contra a prisão de ventre na gravidez.(Fonte: Anastasiia Stiahailo/ 123rf.com)

O que tomar para combater a prisão de ventre na gravidez?

Durante a gravidez, há uma grande preocupação com o consumo de substâncias que sejam nocivas ao bebê. Por esta razão, antes de consumir qualquer medicamento laxante, por exemplo, é fundamental consultar o seu obstetra.

Entre os principais tipos de laxante, o mais indicado é o osmótico (3), que aumenta a umidade das fezes, facilita o trânsito intestinal mas não influencia os movimentos do intestino. Alguns desses auxiliares, como os probióticos, são 100% naturais e não têm qualquer contraindicação para gestantes:

Como prevenir a prisão de ventre na gravidez

A principal causa da prisão de ventre na gravidez, como vimos, é o aumento da produção de progesterona, essencial para a prevenção do parto prematuro (4). Então, o que se pode fazer é criar hábitos para driblar a redução da motilidade intestinal:

  • Beba muito líquido: a água é fundamental para suavizar a textura das fezes e facilitar sua locomoção;
  • Faça atividades físicas: manter-se em movimento garante o funcionamento do metabolismo e promove maior irrigação sanguínea no aparelho digestivo;
  • Mantenha atenção à alimentação: além de evitar alimentos que prendem o intestino, é fundamental estar atento à como seu próprio corpo reage a cada refeição;
  • Cuide da saúde emocional: a ansiedade pode ser um fator desencadeante da prisão de ventre na gravidez. Fique atenta;
  • Consulte seu médico: o obstetra é a pessoa ideal para indicar as melhores alternativas contra a prisão de ventre. Não tome nenhum medicamento sem o conhecimento dele.

Resumo

Uma das fases mais importantes na chegada da maternidade merece ser aproveitada em toda a sua intensidade. Por isso, encontrar estratégias para combater a prisão de ventre na gravidez vai garantir mais tranquilidade e bem estar neste período.

Neste artigo, mostramos o que causa a constipação e deixamos alternativas de alimentos e hábitos que podem ajudar a atravessar a gestação sem as consequências da prisão de ventre.

Esperamos ter ajudado com as suas dúvidas. Se quiser compartilhar sua experiência, deixe-nos um comentário. É sempre bom ouvir você!

(Fonte da imagem destacada: Leszek Glasner/ 123rf.com)

Referências (4)

1. Pregnancy, puerperium and perinatal constipation – an observational hybrid survey on pregnant and postpartum women and their age‐matched non‐pregnant controls. Kuronen M., Hantunen S., Alanne L., Kokki H., Saukko C., Sjövall S., Vesterinen K e Kokki M. International Journal of Obstetrics and Gynaecology. 2020. Acessado em abril de 2021.
Fonte

2. Constipação intestinal e gravidez. Renata Felipe Saffioti Roseli Mieko Yamamoto Nomura, Maria Carolina Gonçalves Dias e Marcelo Zugaib. Universidade de São Paulo. 2011. Acessado em abril de 2021.
Fonte

3. Principais diferenças entre laxantes osmóticos e laxantes estimuladores do peristaltismo para tratamento da obstipação. Livemedia Iberia. 2020. Acessado em abril de 2021.
Fonte

4. Progesterona para prevenção do parto prematuro. Carlos Tadashi Yoshizaki, Roberto Eduardo Bittar, Rossana Pulcineli Vieira Francisco, Marcelo Zugaib. Universidade de São Paulo. 2012. Acessado em abril de 2021.
Fonte

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Artigo científico
Pregnancy, puerperium and perinatal constipation – an observational hybrid survey on pregnant and postpartum women and their age‐matched non‐pregnant controls. Kuronen M., Hantunen S., Alanne L., Kokki H., Saukko C., Sjövall S., Vesterinen K e Kokki M. International Journal of Obstetrics and Gynaecology. 2020. Acessado em abril de 2021.
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Revisão sistemática
Constipação intestinal e gravidez. Renata Felipe Saffioti Roseli Mieko Yamamoto Nomura, Maria Carolina Gonçalves Dias e Marcelo Zugaib. Universidade de São Paulo. 2011. Acessado em abril de 2021.
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Artigo informativo
Principais diferenças entre laxantes osmóticos e laxantes estimuladores do peristaltismo para tratamento da obstipação. Livemedia Iberia. 2020. Acessado em abril de 2021.
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Revisão sistemática
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